texto conjunto com o meu querido Bruno Araújo
Às vezes, eu travo meu pensamento, calo minha boca e interrompo meus passos, colando meus pés no chão. Parece doloroso, sufocante, quase enlouquecedor - mas não é. Essa pausa parece-me de extrema importância em certos capítulos de mim; eu não caberia no mundo sem ela.
Considero a pressa elemento fundamental na receita da ansiedade, vil companheira que transforma o tempo. Vinte minutos parecem ser cinco. Já não são mais "duas e quarenta e cinco", são "quinze para as três". Não é terça-feira; faltam tantos dias para tal coisa tão aflitamente esperada. É aquela eterna sensação de andar com a corda no pescoço, o passo apertado, o lábio quase ferido de tão mordiscado. É viver contra o horário. Ou sempre a frente do horário.
Hoje é quase amanhã, agora é quase depois. O futuro toma espaço; o presente é muito breve, ele quase não existe. Preenche-se a infância com planejamentos para a maturidade, sobrevive-se às noites organizando as manhãs. Onde não se vê pausas, um tropeço é fatal.
O ritmo é estonteante e frenético. Acorde, levante-se, vista-se e escove os dentes. Beba café, leite, suco de laranja e um pouco de vida enquanto o relógio do microondas grita "saia, saia agora, saia há cinco minutos". Não, não faz sentido. Não precisa fazer sentido, porque as chaves já acionaram a ignição e o motor ronca e você já está virando a esquina, e depois outra, e depois mais outra. Você nem viu a cor do céu hoje.
Às vezes, preocupo-me com a possibilidade de estar preenchendo minha vida de tantas expectativas. São os minutos esvaindo-se enquanto você decide onde vai querer estar daqui a cinco, dez, vinte anos, mas ninguém lembra de desejar bom dia a alguém. São os tempos modern... contemporâneos. Pós-contemporâneos, aliás. Urgência obscena.
Então, corremos. Mas corremos para chegar a algum lugar?
azelisa
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Sirat al-Mustaqim
O tempo anda, corre e às vezes se arrasta, mas o movimento é constante. Um lado enfraquece enquanto o outro é fortalecido, mas nada estaciona. Os valores permanecem os mesmos - pouquíssimas modificações na área da essência - mas as atitudes se renovam. A visão é cada vez mais aguçada. Eu a amplio.
Como é bom enxergar um amigo em um conhecido! Como é bom conhecer alguém e ser tomado por uma expectativa real e positiva! Vejo o bem em acompanhar o crescimento do outro de perto e poder crescer junto.
O amor liberta, seja ele do tipo que for.
Como é bom enxergar um amigo em um conhecido! Como é bom conhecer alguém e ser tomado por uma expectativa real e positiva! Vejo o bem em acompanhar o crescimento do outro de perto e poder crescer junto.
O amor liberta, seja ele do tipo que for.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Grata.
Nunca gostei de mudanças muito bruscas e grandes. Sempre pensei que tudo fosse demasiado processual e que isso deveria ser respeitado. "A natureza não realiza saltos", há pouco ouvi. Costumo dizer que tudo deve ser sentido sem pressa, desde os sorrisos às lágrimas, um de cada vez. Mas descobri recentemente que nem sempre é assim, nem sempre há tempo pro processo.
Saltei pra Brasília tomada por muitas lágrimas e alguns sorrisos (e a grande parte da alegria nem era tão minha como eu tentava considerar). Mantive meu otimismo em pé, mesmo com alguns amigos deixados pra trás, uma rotina, uma casa e parte da família. O primeiro texto desde que cheguei foi sobre querer voltar. Mal eu sabia como seria bom ficar.
Agora, após alguns poucos meses, me sinto em casa. Fui acolhida por uma cidade linda, diversa em cores, tamanhos, olhares, sotaques. Mudei muitas concepções tão (supostamente) ligadas, internas a mim. Tenho a quem agradecer. Ah, quanta gente! De lá e de cá.
Uma mudança nunca foi tão bem-vinda como vem sendo.
Sou exageradamente grata.
Saltei pra Brasília tomada por muitas lágrimas e alguns sorrisos (e a grande parte da alegria nem era tão minha como eu tentava considerar). Mantive meu otimismo em pé, mesmo com alguns amigos deixados pra trás, uma rotina, uma casa e parte da família. O primeiro texto desde que cheguei foi sobre querer voltar. Mal eu sabia como seria bom ficar.
Agora, após alguns poucos meses, me sinto em casa. Fui acolhida por uma cidade linda, diversa em cores, tamanhos, olhares, sotaques. Mudei muitas concepções tão (supostamente) ligadas, internas a mim. Tenho a quem agradecer. Ah, quanta gente! De lá e de cá.
Uma mudança nunca foi tão bem-vinda como vem sendo.
Sou exageradamente grata.
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